O que faz um gato enquanto chove.
[...]
Emudecer resvala.
gmm, 19/01/2012, vídeo de Gislene Macêdo
O que faz um gato enquanto chove.
[...]
Emudecer resvala.
gmm, 19/01/2012, vídeo de Gislene Macêdo
reviravoltas
criar ponto
deixar
contato
criar contato
deixar
ponto
criar
pontos
e contatos
descriar tudo
virar
pedaços
gmm, 11/11/2011
alter
a voz que
ecoa na tua
nuca é
a tua
cuca
é a tua
pulga
na tua
rua.
gmm, 06/11/2011
Na Cidade Sem Carro encontro pessoas de verdade

Sr. Germano. Fotografia de Gislene Macêdo (22/09/2011)
Sr. Germano. Ciclista. Trabalhador cearense. Morador da Cidade 2000. Conserta fogão. Habitante de Fortaleza. É muito mais avançado em termos de mobilidade humana do que qualquer propietário de veículo automotor. Parece feliz. Quando o cumprimentei, estendeu a mão me desejando bom dia, conversamos na calçada. Ele, todo sorridente, me autorizou a registrar em imagem a sua bicicleta toda paramentada. Gritou por porteiro do prédio da esquina "Vou aparecer na internet!". Demos risada. Contei pra ele que hoje é o Dia Mundial Sem Carro. Ele achou legal, mas engatou a conversa dizendo que ia me dar o número de telefone dele, caso precisasse de consertos no fogão. Fraternalmente nos despedimos sorrindo. Sr Germano é o meu homenageado do dia. Andar a pé tem dessas coisas. Falar com as pessoas desconhecidas pode nos revelar boas supresas e novos encontros. Voltei leve pra casa e registrei mais imagens de ciclistas e do trânsito congestionado de carros. Os que encontrei pelas calçadas no trajeto Praça da Imprensa e Fonseca Lobo pareciam mais reais. Vi crianças indo pra escola. Trabalhadores tomando suco, café, comendo coxinhas e tapiocas que os vendedores ambulantes (de bicicleta) vendem próximo aos pontos de ônibus, tornaram o trajeto mais vivo e humano. Uso a cidade à pé e me fortaleço com o sol na pele. Em casa, falei do Sr Germano pra minha mãe, Zenaide. Ela mais do que depressa disse " Deixe o telefone do Sr Germano em cima da mesa! Quando precisar limpar o fogão vou chamá-lo." Feliz Dia Mundial Na Cidade Sem Meu Carro!
gmm, 22/09/2011
Antilhas
Prendo em tudo o que é ficção o desejo prenhe de escapar por dentro da tua ferida. Mesmo que os flancos soltem pelos ares, ao redor do cerco de mel ainda surgem os fios dos teus cabelos finos , sem odor. Indago sobre a meia-noite. Calo. Caso se faça passar por mendigo, aviso logo que os restos de comida viraram poeira e pó, poeira. Pó. Pele lustrada de arroz esvazia pelo vento. Desconcentro. Desse centro as teias veredas esculpiram mel. Não houve tempo de se despedir. Despir à olho nu é apenas uma leve propaganda de suores macios. Há quem fale em arrepios, mas, sinceramente, quem cala nem sempre sente. O anestésico é muito forte, as dores na nuca sobem às avessas, engatilham suaves venezas, sem barco e água ou remos. Oremos. Restam passagens subterrâneas pelas portas risíveis. Tudo muito visto se torna imenso e vasto, empoeirado, aterrado, pronto para escapulir. Pare, por favor, de esculpir seus nomes em pedras que nunca serão lidas! É um apelo inútil. Há os que querem eternizar seus sonhos. Há em algum canto do lado de cá uma pedra torpe que embala meus seios junto ao teu peito em novelo de lã, pele e sol menor.
gmm, 08/09/2011, 01h39, à céu aberto.
onde mora a falta,
ali está.
onde mora,
falta
esse lugar.
gmm, 25/08/2011
Talvez sem antes
um dia alcance
aquele fino instante.
gmm, 10/08/2011
para amy
foi deixando de ter importância essa necessidade de respirar e respingou vida para todos os lados, agora do lado de lá.
gmm, 24/07/2011
desculpe-me, sou
muito fraca em sustentar
nãos.
gmm, 24/07/2011
øøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøøø
dor mi ta ção
colonoteucolo
apaga a luz
a-deus.
gmm, 24/07/2011
É preciso dormir.
Cedo o dia
tarda,
mas não fala.
˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚˚
Subtrações
traçam menos que
hoje, gritos a
plenos
pulmões.
gmm, 11/07/2011

obscurescência
espero que os dias de espera desesperem ainda mais o que se despede de corpo e despe [a alma veste tecidos e talvez seja hora de recortes e edições incoerentes do que não mais vejo atravessar]. serve pensar que os sopros na orelha [ou no ouvido?] pingaram segredos que esqueci. dormi em excesso por 364 dias e hoje, precisamente, é o ano novo das velhas multidões. estou aqui e arrepio os cabelos da nuca e paro de pensar. apesar de desarticulada. ponto.

Chama
Era um cerco, uma cerca, cercação, cassação, ou tentativa de. Desventura do aligeirado. Despreparado, acerta com os seus os pontos altos, baixos, hiatos. Consome tempo sem vontades em um só pedaço de desverdades. Concentra, despreende (si) dos outros. Múltiplos foram divididos em caixas e argumentos pouco claros, sentidos e sentimos vagos. Vagas e luzes apagadas e a chama, aquela que labareda diante dos nossos olhos atônitos, esbugalhados, atravessa indefinidamente a vela acesa.
gmm, em algum momento de maio/2011

Desfecho
Trinta minutos separam tua voz da minha orelha. Quatro palavras grudam cabelos numa telha. Cem vozes ao redor do mundo pedem clemência. Outras tantas se juntam a passos ralos de incoerências. Uma andorinha risca o céu sem verão. Milhões de carros atravessam a terra na contramão. Seis meses inundam o sorriso de uma senhora. Seis dias cravam o peito de agonia em penhora. Menos de um segundo separa a vida da morte. Pela metade disso o peito arfa pela sorte. Entre quatro paredes tudo é possível por dois, mas se for amoral se perdem nos dedos de depois. O relógio marca vinte e três horas e quatro minutos. Olho desperta o barulho da rua do trilho e permuto. Faculto à noite que me seja dia, percorro o tempo em roda vazia e as somas díspares do centro desfocam a nuca ao zero ponto do momento. Guardo sem querer um terço da memória. Ponho no travesseiro um cheiro doido de agora. Calo um único susto no bocado espesso de um beijo roubado em desforra. Trago 5 quilos de doçura espalhadas por infindas centelhas de um banho de seda fresco e o zíper aberto depressa pelo avesso. Pelo avesso também componho um verso triste e sou bem capaz de soprar em tudo que existe. Capaz de te chamar pelo nome na esquina, esguia, solta, de soprar o vento em tua boca e desabafar que o mundo todo é uma tia louca.
gmm, 23/06/2011
assistemática
assimétrica
doida varrida
elétrika
gmm, 23/06/2011
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BRASIL, Nordeste, Mulher