
FêMINA
Espesso, centelhas e noites não foram suficientes. Aplacou a voz, tremeu as carnes. Regalou o peito inflamado e chorou por dias. Umas lágrimas em falsete, joguete, malandras. E doía, doía, inocente, curva sem linha. Postava mãos em além... ai, ai, ai, meu bem! Tropeçava pela mata, figurava porções. Pensava nos açoites ferozes, chuvas de fim de tarde, mar aberto e sertão. Lembrava do riso cênico depois da lua e sonhava a safadeza do sono sem culpa. E foi na folha seca que o vento zoava o quedar de luz daquele delírio. Fez inteira, mil metades, tracejada, sem viagens, cobertores, vis paragens. Saltou da pedra caiada, virou dez vezes salteada, cantou marolinha saúva, ancou as cadeiras sementes e se espalhou por aí. Dizem que aparece em sombras, mas uma vez, no espelho, já cruzamos olhares...
gmm, 09/06/09, 12h55