Poéticas do Movimento


20/06/2009


Quere(la)



Quase emendas
Palavrinhas
Rimas
Fendas
Fundem
Cores
Dissabores
Sobrepores
Elãs

Coronárias
Trinchadas em bandeja
Vicejam
Tonéis
Flores
Ilhas
Festejam

Rodopia
Doída
Curupira
Meias noites
Cerrados
Cortesã

Cá entre luas mansas
Clareiam
Cantos
Percalços

Serpentes de aço
Melaço

Mulher
Incerta
Cansaço

Sina sem ponto
Manhã



gmm, 20/06/09

Escrito por Gislene Macêdo às 18h05
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13/06/2009


Fricção

Para Gilberto


Passa, passado crente, senões. Madrugada esperança caiu no travesseiro acordada. Serpenteou sonos. Correu presságios. Nem bem abriu os olhos e cerrou ressabiada. Fotogramas, sur imagem e aquele canto... sei não, sei não. Dia lerdo, coisas que flutuam, vozes, ficção. Retrato 3x4 digital, barulhos, movimento, cerração. Melados cura sem tempo. Cuidados desdobram poeirentos. Anoiteço, aconteço, sem efeito. Esqueço.


gmm, 13/06/09, 20h36

Escrito por Gislene Macêdo às 20h41
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11/06/2009


In Ritu


Essa simulação de palavras

mesmo branda

não cala,

nem desmente

o que se faz

direta

em linhas restas,

multidão.


Inteirada,

atravessa em leitura gótica.

Acordo sôfrega,

desalinho,

solidão.


Sem chamados.

Não quero barulhos inventados

(ou meias porções).


Bastam palavras

simulacras,

sessões tribalísticas,

cantadas,

cadências suaves,

clarões.


gmm, 11/06/09, 09h19

Escrito por Gislene Macêdo às 09h23
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09/06/2009


 

FêMINA


Espesso, centelhas e noites não foram suficientes. Aplacou a voz, tremeu as carnes. Regalou o peito inflamado e chorou por dias. Umas lágrimas em falsete, joguete, malandras. E doía, doía, inocente, curva sem linha. Postava mãos em além... ai, ai, ai, meu bem! Tropeçava pela mata, figurava porções. Pensava nos açoites ferozes, chuvas de fim de tarde, mar aberto e sertão. Lembrava do riso cênico depois da lua e sonhava a safadeza do sono sem culpa. E foi na folha seca que o vento zoava o quedar de luz daquele delírio. Fez inteira, mil metades, tracejada, sem viagens, cobertores, vis paragens. Saltou da pedra caiada, virou dez vezes salteada, cantou marolinha saúva, ancou as cadeiras sementes e se espalhou por aí. Dizem que aparece em sombras, mas uma vez, no espelho, já cruzamos olhares...



gmm, 09/06/09, 12h55

Escrito por Gislene Macêdo às 13h13
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Chama


Acasalados se cruzam além manhãs. O pescoço ainda estranho descompilado cede maroto a primeira gota. Água, água, água. Que sede tão sonâmbula! Que fresca de Aruanda! Molhe aí seus pés na gruta que a pedra cheia de clarão vai te deixar passar por entre as brocas. Passou de novo a língua pela boca, incrédula da doçura comprovada. Fim da ceia, ceada! Potes de barros somem, madrugada. Fim do tornado não morre, enseada. Foi malandro de cabeça, doutor, quem me tirou de casa, dançando pela viga, tateou meu seio, bem amada. Colou sua pele na areia, roçou sovado, sem caminha. Doeu levado, xote chiado, mandou certeiro, menininha! Nada de sorte ou melada, nem boa noite, bom dia! Foi que atravessou varão matreiro, muito ligeiro, fugia.


gmm, 09/06/09, 00h57

Escrito por Gislene Macêdo às 01h00
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08/06/2009


Fluída


emborca balsa virada
encoxa beirada no vento
solta lírios de sons cálidos

assoalho
espantalho
borralho

foi nem ontem
e já corroeu as unhas

cansaço
de não temer

vontade perene
de você


gmm, 08/06/09, 00h28

Escrito por Gislene Macêdo às 00h30
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05/06/2009


Cadência


aos poucos
ainda desmedida
futurei passos e valsas

nunca foi sonho

torrente
imagem
bravio
mulher no cio

fendas
lagartas
coragem
lugares
viagem

corsário
desvelo
pescoços
cheiros

faz pouco
ligeiro
tropeço
vagueio

silêncios lençóis
dormir



gmm, 9h16, 05/06/09

Escrito por Gislene Macêdo às 09h19
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08/05/2009


Solarium

Nem que se passem os dias
Pelas janelas
Quase gotas
Olho(s)
Pressageiam verões.

gmm, 08/05/09

Escrito por Gislene Macêdo às 22h35
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31/03/2009


õ Õ

 ~

 

Desculpem-me

Ultimamente, não tenho nada a dizer...

 

Mas eu volto!

 

Bjos

Escrito por Gislene Macêdo às 11h39
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26/02/2009


Coxia

 

 

Frestas

Cuidado com olhos

 

Procriados

 

São imensas as cores da

Desrazão

 

Quanto mais se aproximam

Dóceis

Mais turva

Fina

 

Visão

 

Tanto menos

Tateia

Escuro

 

Desce alto

Pés sem chão

 

Corta adentro

Mar

Sem viagem

 

Vocifera

Torpes

 

Verdades

Embaladas

 

Não

 

 

 

gmm, 23/02/09

 

Escrito por Gislene Macêdo às 10h17
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Sonoro

 

 

Recados de mar

Vem aos poucos

 

Portos

Portas

 

Vento virado

Pé descalço

Descansado

 

Chama teu nome

Por mim

 

 

gmm, 23/02/09

Escrito por Gislene Macêdo às 10h14
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Ricordo

 

 

Tarda o mar

 

Não me falham memórias

Gotejadas de amanhãs

 

Doces carolas

 

Safenas secas

Suores

Lágrimas

Drenam castas

 

Titãs

 

 

gmm, 23/02/09

 

Escrito por Gislene Macêdo às 10h10
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08/02/2009


Essa é uma composição da Fátima Guedes, tão linda e tão feminina que quis compartilhar com @s visitantes do Poéticas. Esperem que apreciem.

 

 

 

Flor de Ir Embora

 

 

Flor de ir embora.
É uma flor que se alimenta do que a gente chora.
Rompe a terra decidida.
Flor do meu desejo
De correr o mundo afora.


Flor de sentimento
Amadurecendo aos poucos a minha partida.
Quando a flor abrir inteira
Muda a minha vida.
Esperei o tempo certo.


E lá vou eu.
E lá vou eu.


Flor de ir embora, eu vou.
Agora esse mundo é meu.


Fátima Guedes

Escrito por Gislene Macêdo às 12h13
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07/02/2009


Caraminholas

 

 

Suave noite

Sai colina

Vazia intensa

Você

 

Nem retalho

Vazado

Cuidado

Desbravio

Tosco

Menos de si

 

Rola manso

Fronteiriço

Segue incerto

Colibri

 

Foi quebranto

Desencanto

Sol dormente

Vem dormir

 

Cada canto

Desacato

Meio pranto

Salto alto

 

Desafio

Rodopio

Mesmo tonto

Sei sair

 

 

 

gmm, 07/02/09

Escrito por Gislene Macêdo às 13h51
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Banto

 

 

Torcer o lombo friorento na madrugada entre lençóis rasgados de suor. Melaço de sol e sombra de palmeira seca do sertão. Chafurdada entre um som e o tique-taque do relógio da sala. Paredes cambiantes, janelas dissonantes, costas nuas, beija a flor. Nem por perto se sabia o paradeiro. Era porto, arrecife ou jangadeiro. Era chão, era mar ou desfiladeiro. Canto banto cerrado, olhar inteiro. Voz de chuva, soltar ou cativeiro. Meia volta voltar ou estradeiro.

 

 

 

gmm, 07/02/09

Escrito por Gislene Macêdo às 12h03
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