Antilhas
Prendo em tudo o que é ficção o desejo prenhe de escapar por dentro da tua ferida. Mesmo que os flancos soltem pelos ares, ao redor do cerco de mel ainda surgem os fios dos teus cabelos finos , sem odor. Indago sobre a meia-noite. Calo. Caso se faça passar por mendigo, aviso logo que os restos de comida viraram poeira e pó, poeira. Pó. Pele lustrada de arroz esvazia pelo vento. Desconcentro. Desse centro as teias veredas esculpiram mel. Não houve tempo de se despedir. Despir à olho nu é apenas uma leve propaganda de suores macios. Há quem fale em arrepios, mas, sinceramente, quem cala nem sempre sente. O anestésico é muito forte, as dores na nuca sobem às avessas, engatilham suaves venezas, sem barco e água ou remos. Oremos. Restam passagens subterrâneas pelas portas risíveis. Tudo muito visto se torna imenso e vasto, empoeirado, aterrado, pronto para escapulir. Pare, por favor, de esculpir seus nomes em pedras que nunca serão lidas! É um apelo inútil. Há os que querem eternizar seus sonhos. Há em algum canto do lado de cá uma pedra torpe que embala meus seios junto ao teu peito em novelo de lã, pele e sol menor.
gmm, 08/09/2011, 01h39, à céu aberto.