Poéticas do Movimento


13/06/2009


Fricção

Para Gilberto


Passa, passado crente, senões. Madrugada esperança caiu no travesseiro acordada. Serpenteou sonos. Correu presságios. Nem bem abriu os olhos e cerrou ressabiada. Fotogramas, sur imagem e aquele canto... sei não, sei não. Dia lerdo, coisas que flutuam, vozes, ficção. Retrato 3x4 digital, barulhos, movimento, cerração. Melados cura sem tempo. Cuidados desdobram poeirentos. Anoiteço, aconteço, sem efeito. Esqueço.


gmm, 13/06/09, 20h36

Escrito por Gislene Macêdo às 20h41
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11/06/2009


In Ritu


Essa simulação de palavras

mesmo branda

não cala,

nem desmente

o que se faz

direta

em linhas restas,

multidão.


Inteirada,

atravessa em leitura gótica.

Acordo sôfrega,

desalinho,

solidão.


Sem chamados.

Não quero barulhos inventados

(ou meias porções).


Bastam palavras

simulacras,

sessões tribalísticas,

cantadas,

cadências suaves,

clarões.


gmm, 11/06/09, 09h19

Escrito por Gislene Macêdo às 09h23
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09/06/2009


 

FêMINA


Espesso, centelhas e noites não foram suficientes. Aplacou a voz, tremeu as carnes. Regalou o peito inflamado e chorou por dias. Umas lágrimas em falsete, joguete, malandras. E doía, doía, inocente, curva sem linha. Postava mãos em além... ai, ai, ai, meu bem! Tropeçava pela mata, figurava porções. Pensava nos açoites ferozes, chuvas de fim de tarde, mar aberto e sertão. Lembrava do riso cênico depois da lua e sonhava a safadeza do sono sem culpa. E foi na folha seca que o vento zoava o quedar de luz daquele delírio. Fez inteira, mil metades, tracejada, sem viagens, cobertores, vis paragens. Saltou da pedra caiada, virou dez vezes salteada, cantou marolinha saúva, ancou as cadeiras sementes e se espalhou por aí. Dizem que aparece em sombras, mas uma vez, no espelho, já cruzamos olhares...



gmm, 09/06/09, 12h55

Escrito por Gislene Macêdo às 13h13
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Chama


Acasalados se cruzam além manhãs. O pescoço ainda estranho descompilado cede maroto a primeira gota. Água, água, água. Que sede tão sonâmbula! Que fresca de Aruanda! Molhe aí seus pés na gruta que a pedra cheia de clarão vai te deixar passar por entre as brocas. Passou de novo a língua pela boca, incrédula da doçura comprovada. Fim da ceia, ceada! Potes de barros somem, madrugada. Fim do tornado não morre, enseada. Foi malandro de cabeça, doutor, quem me tirou de casa, dançando pela viga, tateou meu seio, bem amada. Colou sua pele na areia, roçou sovado, sem caminha. Doeu levado, xote chiado, mandou certeiro, menininha! Nada de sorte ou melada, nem boa noite, bom dia! Foi que atravessou varão matreiro, muito ligeiro, fugia.


gmm, 09/06/09, 00h57

Escrito por Gislene Macêdo às 01h00
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08/06/2009


Fluída


emborca balsa virada
encoxa beirada no vento
solta lírios de sons cálidos

assoalho
espantalho
borralho

foi nem ontem
e já corroeu as unhas

cansaço
de não temer

vontade perene
de você


gmm, 08/06/09, 00h28

Escrito por Gislene Macêdo às 00h30
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