Embriaguez
Dá-me uma dose dupla de vida sem gelo! Foram os anos que depuraram esse licor. Quero sentir na ponta da língua aquele amargor de carvalho envelhecido, aquele gosto de raiz amarelada, quase suave não fosse o tempo de sorver. Ah, a garganta agora se prepara e recebe o gosto quentinho das últimas façanhas, os tropeços, todas as vergonhas e misturam-se ao hálito fresco e alterado das pequenas mentiras do dia. Ainda de olhos fechados (estavam fechados ao abrir a boca) invoco todos os Deuses. Que se quedem os murmúrios da noite, cheiros, sons... só o silêncio me interessa na balbúrdia emaranhada da tua pele.
gmm, 15/08/09, in memoria


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