Poéticas do Movimento


15/08/2009


Embriaguez


Dá-me uma dose dupla de vida sem gelo! Foram os anos que depuraram esse licor. Quero sentir na ponta da língua aquele amargor de carvalho envelhecido, aquele gosto de raiz amarelada, quase suave não fosse o tempo de sorver. Ah, a garganta agora se prepara e recebe o gosto quentinho das últimas façanhas, os tropeços, todas as vergonhas e misturam-se ao hálito fresco e alterado das pequenas mentiras do dia. Ainda de olhos fechados (estavam fechados ao abrir a boca) invoco todos os Deuses. Que se quedem os murmúrios da noite, cheiros, sons... só o silêncio me interessa na balbúrdia emaranhada da tua pele.


gmm, 15/08/09, in memoria

Escrito por Gislene Macêdo às 18h57
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Corredeira


Nem essa teia embaça embaraça amassa tão me-ti-cu-lo-sa-men-te caraminholas enroscadas espatifados delírios de evasão sem (dis)solução puros fragmentos de outros dias esquecidos entre a pausa e o suspiro tardio desse (meu) arrepio pelas curvas do lençol secando ao meio dia em plena beira-mar enquanto pegadas breves demarcam areias circulares pendulares seculares cravadas sem o menor discernimento infinito silêncio depois


gmm, 15/08/09, há 1mês de mim

Escrito por Gislene Macêdo às 18h35
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